segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EUROPA HOJE



Uma guerra ideológica em que grupos económicos poderosos desejam controlar e gerir o mundo. Isto é só possível se nos deixarmos levar pela velocidade das coisas à nossa volta. A divisão entre as pessoas é o maior inimigo desta maioria que somos todos nós (lembram-se do caso Gandi na India e os Ingleses?)
As armas escolhidas pelo 'inimigo' invisível já estão em funcionamento há muito. Entre muitas:
 'sistemas com métodos sofisticados para influir e manipular' . O grupo-alvo mais importante são os governos dos países mais vulneráveis porque são estes que controlam a sociedade além disso são estes os que mais gastam. Claro, a ambição destes meninos governantes protegidos pelo próprio sistema (corrupto em si) é tanta que andaram a jogar anos e anos 'à cabra cega' (será?) com o jogo perdido à partida enchendo os bolsos via práticas corruptas e pondo os estados cada vez mais dependentes financeiramente
.

Inimigo desta 'minoria invisível' a Internet parece ser um instrumento poderoso hoje acessível aos mais pobres, não é por acaso que existe há algum tempo pressão para que sejam implantadas regras e taxas para o acesso à Internet. 

'Unidos e solidários somos invenciveis' 






sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Castanhas quentes

''Inverno de castanhas quentes''

Um País que não sabe cuidar de seus pobres, não sabe cuidar dos seus idosos, não sabe dar à sua juventude o que ela realmente precisa, um país enfim que eu só posso colocar num saco chamado 'tristeza'. Existe outro saco chamado 'a alma deste povo da minha terra' existe sempre luz, muita luz, e milagres também existem de vez em quando. A alma deste povo que mesmo explorado há séculos, tem o Fado, a sua tristeza ao lado de sua alegria,  as suas tradições. Este rico Povo ...
 

domingo, 23 de outubro de 2011

Um longo túnel

Acordei com o sentir de que a curta vida é como uma viagem a alta velocidade através de um longo túnel. Com algumas estações onde entra e sai gente. O fim? Realmente não me interessa.

Abraço, Brenda.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Transformar Pedras em Flores



O passado deve ser  uma aprendizagem que nos ajuda a crescer interiormente seja lindo seja ou o que tenha sido.  Ajuda a estarmos no  presente mais conscientes e para hoje sermos felizes. A felicidade real existe se for sentida no presente. O presente que continua sendo para alguns doloroso para outros é a vida é a luz sentida em cada dia.
Por isso a carga do passado não deve ser carga de hoje, deve ser transformada em flores logo quando possível. Para isso precisamos de ter o dom a coragem de transformar no nosso coração pedras, espinhos em lindas flores. Assim o hoje é nítido, leve e a vida pode existir e ser vivida em toda a sua plenitude só hoje.

(Refletindo)

8 de junho 2011

O Homem Espiritual


"O homem realmente espiritual não é um homem pacatamente virtuoso, uma alma dogmaticamente mansa e domesticada para encampar docilmente as crenças tradicionais. O homem integralmente espiritual é um intrépido aventureiro dos mundos ignotos, um genial sonhador do infinito, uma alma empolgada pela dinâmica inquietude metafísica dos insatisfeitos, dos insaciáveis, dos descontentes com o que “todos” sabem e fascinado pelo que todos ignoram... O homem espiritual, surdo aos barulhos da turba-multa dos profanos e às teses dos catedráticos, escuta intensamente vozes do grande silêncio que principia além de todos os ruídos estéreis. E o que esse silêncio anônimo lhe sugere é mais sedutor do que tudo o quanto os discursos e os sermões dos sabidos e afamados possam lhe dizer."

Com amor para os meus amigos...
 Sara

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ai Portugal és tão linda


Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.

Eça de Queirós, in 'Correspondência (1891)'

quinta-feira, 21 de abril de 2011

TGV e a SRA. EURO e a INDUSTRIA ALEMÃ

O GRANDE MISTÉRIO DO TGV

(Porque será que Sócrates mantém esta insistência obsessiva no TGV? Quando quase toda a gente, desde o analfabeto ao catedrático, reconhece a impossibilidade financeira de o construir, e depois de se provar tecnicamente que será uma rede deficitária, porque continua Sócrates a insistir?
Será que Sócrates é um visionário, e todos nós uns pobres ignorantes?
Ou será que há outras razões, talvez impositivas e condicionadoras, que só Sócrates sabe, e que não pode confessar a ninguém?)
A megalomania das grandes obras tem sido uma obsessão quase permanente de quem passa pelo Poder. É assim desde a Antiguidade, e é gene que ainda empesta o cromossoma do político actual. A vontade deixar para a posteridade, algo de perene que perpetue o seu construtor, é uma vaidade com que os poderosos sempre tentaram iludir a morte – a inevitabilidade terrível do desaparecimento.
Como os seus antecessores, é por isso natural que Sócrates quisesse deixar obra visível que o recordasse.
Daí não me espantar que tenha avançado, de uma assentada, com um conjunto de grandes investimentos, como o TGV, a 3ª travessia do Tejo e um Aeroporto construído em terrenos de M. Jamais.
Mas desde os dias fulgurantes do estado de graça de Sócrates, até aos dias pedintes de hoje, vai muito tempo, e muita coisa aconteceu desde então.
Vamos aos factos.
Em Março de 2005, Sócrates é empossado pela primeira vez como Primeiro-Ministro, gozando de uma maioria absoluta na Assembleia.
O TGV já então fazia parte do programa de Governo, que previa o seu início nessa legislatura, se bem que entre Porto e Lisboa, ligação que muito mais tarde foi alterada para Poceirão / Caia.
Esta obra era há muito uma bandeira de Sócrates, de tal modo que dela fez propaganda anos antes, levando-a depois até ao referido programa de Governo.
Sobre a matéria, vejamos o que dizia então o Presidente da Multinacional Alemã Siemens, Sr. Heinrich von Pierer. Considerava o TGV em Portugal como um “projecto fantástico”, afirmando “querer ser nosso parceiro nesse projecto”. Estas declarações foram produzidas em Munique, para um grupo de jornalistas portugueses (Novembro de 2003).
Entretanto, a coisa ficou por ali.
Contudo, iam-se agravando as condições económicas do país. Só crates não consegue reduzir uma grama na adiposidade do Estado, e vê as despesas aumentarem. As suas deslocações, juntamente com Teixeira dos Santos, a Bruxelas, são quase semanais. O facto é que, segundo ele, traz sempre boas notícias e, permanentemente interrogado sobre o TGV, mantém-se irredutível: é para ir para a frente.
Lembro que, estranhamente, e por motivos ainda muito mal explicados, o Dr. Campos e Cunha (primeiro ministro das Finanças a ser escolhido por Sócrates), afasta-se logo após ter proferido declarações onde reconhecia a indisponibilidade financeira da execução de uma obra como o TGV e o Aeroporto.
Contudo, a velha história das garantias de que grande parte do financiamento vinha da UE, mantiveram Sócrates com argumentos para prosseguir. Campos e Cunha é que não ficou mais. Ele sabia porquê.
Entretanto, e contra tudo e contra todos, a construção do TGV é adjudicado em Dezembro de 2009, ao consórcio Elos (que engloba a Brisa, Soares das Costa, ACS espanhola, Grupo Lena, Bento Pedroso, Edifer, Zagrope, Babock e Brow Lda, BCP e CGD).
Com as condições de agravamento da nossa economia, e com os sucessivos falhanços na baixa do défice, em 2010 a UE começa a mostrar-nos sérios “cartões amarelos” e, preocupada com o destino que as coisas levam, e, de certo modo, traumatizada com os casos de Irlanda e da Grécia, e com o “espantalho” de que os problemas se alastrem a Espanha e a Itália (onde a dívida pública já tinha ultrapassado em muito os 100% do PIB - actualmente está nos 120%), obriga Portugal a tomar sérias medidas, que haviam de se traduzir no PEC1.
Este PEC1 data de Março de 2010.
Demonstrada a insuficiência dele, em Maio do mesmo ano avança-se com o PEC2, e quatro meses mais tarde, com o PEC3.
Sócrates continua a deslocar-se a Bruxelas assiduamente. As visitas e reuniões da praxe, mas as reuniões com Ângela Merkle são obrigatórias. Estranha-se que entre ambos exista como que uma cumplicidade, ou algo que leva o nosso Primeiro-ministro a conversar, preferencialmente, com ela.
E há algo que continua um mistério: apesar das sérias restrições que os PECs impõem, dos aumentos de impostos, da redução dos benefícios sociais, do aumento do IVA,
IRS, e até da suspensão da 3ª travessia do Tejo e do Aeroporto de Lisboa, o TGV continua intocável!
É que, mesmo adjudicado, a obra poderia ser suspensa (como foi a 3ª travessia do Tejo depois de ser adjudicada). Mas não! Mantinha-se o TGV.
Assim, o PEC1 tem o aval da UE, 2 meses depois de adjudicarmos o TGV, e os dois PECs seguintes, também obtêm a aprovação europeia.
A seguir à aprovação do PEC3 (Setembro de 2010), logo em Novembro do mesmo ano, a Multinacional Siemens volta à carga.
A Multinacional afirma que possui 10 mil milhões de Euros para financiamento de TGVs, através da sua Siemens Project Adventures (que por sua vez está ligada à Siemens Financy Services), e que iria propor ao governo português um esquema de financiamento do
TGV.
Duas perguntas: que relação existe entre a data de adjudicação do TGV (Dezembro de 2009), e a apresentação dos PECs1, 2 e 3 (Março, Maio e Setembro de 1010)? Será que a adjudicação terá servido de garantia para que a Srª Merkle desse o seu aval a esses PECs?
Porque uma coisa é certa: quem manda na UE é Ângela Merkle.
Ela é que manda no dinheiro, ela é a “chanceler do Euro”. Durão Barroso, para todos os efeitos, é uma figura ornamental, quando muito um Chefe de Secretaria da UE, que, como todos os outros, tem que render vénias à poderosa Srª Merkle.
E outra pergunta: qual a razão porque a Siemens veio, de seguida (Novembro de 2010) anunciar a intenção de financiar a obra?
Entretanto, como sabemos, e com o PEC4 já avalizado por Merkle, o Governo cai. Mas o TGV não cai, e Sócrates, antes de cair, ainda insiste. E tem razão, porque os 80 mil milhões INTERCALARES, existiram mesmo!
Seria o dinheiro para “aguentar” Sócrates até que as primeiras tranches do PEC4 chegassem.
Durão Barroso, numa resposta fugidia, disse que desconhecia essa quantia intercalar, e que tal modalidade não estava prevista nos regulamentos da UE.
Mas o facto é que Sócrates trouxe de lá a promessa dessa garantia!
Disse-o a todos os portugueses! E disse-o porque Merkle lho havia prometido. A não ser assim,
Sócrates mentiu! Mas Sócrates não mentiu. Porque Merkle arranjaria o dinheiro.
Mas a história não se fica por aqui.
O TGV implica a compra de material, muito material, entre os quais os comboios (locomotivas e carruagens), nada menos de 22, numa primeira fase. Mas também a manutenção, a assistência, todo o complicadíssimo sistema hard e softwere indispensável para o controle da rede, o aluguer de material complementar, etc., etc., etc. Um nunca mais acabar de encargos eternos.
Para fornecimento do material, dispõem-se, à partida, três empresas capazes de cumprir com o programa de concurso: Alstom (francesa), a Bombardier (Canadiana) e a Siemens (Alemã).
A quem adjudicar?
A Alstom francesa está metida em sérios problemas judiciais na Suiça, França e Brasil, sob a acusação de ter subornado políticos para que lhe adjudicassem material.
A canadiana Bombardier, se bem se lembram os portugueses, fechou as fábricas na Amadora em 2004, deixando centenas de trabalhadores no desemprego.
A Siemens alemã, tem a vantagem de possuir as máquinas mais competitivas do mercado, assentes na plataforma Velaro, que podem atingir os 350 Km/hora, sendo o comboio mais rápido do mundo.
Esta escolha da empresa fornecedora (como o contrato de financiamento) estava nas mãos de
Sócrates. Perante este cenário, a quem acham que se deveria fazer a adjudicação?
A uma empresa com problemas judiciais, a outra que saiu de Portugal com tão triste fama, ou à alemã Siemens, que possui uma boa máquina ferroviária e que faz parte da mesma empresa que negociaria um financiamento com o Governo português para a execução do TGV?
Era evidente a quem adjudicar. E Sócrates tinha o poder para o fazer.
Será que o TGV era a garantia dada por Sócrates à Srª Merkle?
Para que esta avalizasse os empréstimos resultantes de sucessivos PECs, sem que Sócrates sofresse a humilhação interna de ter que pedir a intervenção do FMI (com que prometera a pés juntos, nunca governar? E com isso hipotecar em definitivo a sua carreira política?)
São as dúvidas que ficam, mas que um dia serão esclarecidas.
Apenas narrei factos, evidências, estabeleci uma cronologia, e tentei desvendar o complicado algoritmo da relação entre a política e os interesses financeiros. E depois, sobre eles, como cidadão que se preza de avisado e que não perdeu a qualidade de inferir, coloquei as minhas dúvidas.
Se isto for verdade, Sócrates seria o elo mais fraco deste acordo que lhe garantia os dinheiros com que suportava um Estado devorador e excessivo que foi incapaz de meter na linha. Merkle, o elo mais forte e representante da poderosíssima industria alemã.
Se calhar, Sócrates já há muito que desejaria ver-se livre do “empecilho” do TGV.
Mas será que podia?
Neste mundo, não há almoços grátis.

Por Francisco Gouveia, Eng.º
gouveiafrancisco@hotmail.com

sábado, 9 de abril de 2011

Portugal e a crise ''Porque silenciam a ISLÂNDIA?'' FMI e claro que tem a ver com 'dinheiro'

 
Porque silenciam a ISLÂNDIA?
(Estamos neste estado lamentável por causa da corrupção interna – pública e privada com incidência no sector bancário – e pelos juros usurários que a Banca Europeia nos cobra.
Sócrates foi dizer à Sra. Merkle – a chanceler do Euro – que já tínhamos tapado os buracos das fraudes e que, se fosse preciso, nos punha a pão e água para pagar os juros ao valor que ela quisesse.
Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa gente que se fale dele)
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Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno país perdido no meio do mar, deu a volta à crise.
Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.
Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal.
A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas “macaquices” bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar).
País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria.
Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda. Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal “ajuda” ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para “tapar” o buraco do principal Banco islandês.
Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores. E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos.
O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI.
Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições.
Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia). O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha..
Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.
Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa. Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não “estragar” os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado.
As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais.
Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010.
O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas. Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações. Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado.
Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos.
Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo.
O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.
Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham até abarrotar, já posso dar por bem empregue o tempo que levei a escrever este artigo.

Por Francisco Gouveia, Eng.º
gouveiafrancisco@hotmail.com

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dia da Mulher

 Aqui o texto que encontrei na 'Arca do Conhecimento' que pertence  à Maria José:

 terça-feira, 8 de março de 2011


MEU LADO MULHER

Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num dia do ano - 8 de março, enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride, dor recente de uma cicatriz antiga. Porque vive-se numa sociedade machista: Matrimônio - o cuidado do lar; patrimônio - o domínio dos bens.
O marido possui a casa, o carro e a mulher, que incorpora ao nome o da família dele. A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro envia à oficina ao menor defeito.
À mulher, ser multifacetado, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.
Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com tanto respeito. Na Igreja católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e, mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio. As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos.
Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.
Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do pai que assedia a filha, jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.
Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece:
'Cala a boca, Magda!' Ela é a burra, a imbecil que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira do Gugu, expõe-se na casa do brother, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.
Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino:
Tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.
Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente.
Aquilo que é, só alcançará plenitude em interação com o seu contrário.
Como ocorre em todo verdadeiro amor.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Terás mais pó para tirar?

Teu texto está perfeito...no conteúdo e na forma....
Terás mais pó para tirar?????...é que adorei o resultado e nada como uma resposta desempoeirada e um rasgo da verdade mais pura e crua...para me obrigares a pensar...
É certo que o que escrevi antes, era uma forma de parodiar a minha fragilidade e a colecção de incertezas, sabendo de antemão que é assim mesmo, mas não gosto, ora pois.
Mas confesso que soube bem que alguém entrasse na minha sintonia, mais ainda quando  me dizes que dois passarinhos estão de acordo...aquece a alma.
Bem hajas!!!

Ana

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O livrinho de instruções



Ana:
Realmente, tens com cada uma....agora obrigaste-me a rebuscar na arca que tenho no sotão... para te responder. Olha, até gostei porque havia coisas que já tinham um certo pó em cima e eu gosto pouco de pó. Vamos a isto:


Bom dia....porque é mesmo bom dia
A noite foi má, houve uma tempestade, parecia que o céu ia cair aos pedaçinhos, depois surgiu o dia, com graça, com luz, até com passarinhos voando no decor do azul do céu... a vida voltou a florir, escutei os dois passarinhos em cima da chaminé do vizinho, se entendi bem eles tinham a mesma opinião


Clarezas na covinha da nossa mão
 Um caminho sem pedras não seria caminho seria tudo menos isso.
Não usando sapatos, também pedra não entra.
Vivemos com os pesos que queremos, a escolha é nossa, nem precisa de ter uma conta bancária para possuir tal tesouro. Uma vez fiquei quase nu, mandei tudo que tinha nos bolsos rio abaixo, e começei a cantar até uma flor me brilhar.
As asas são para subtituir de vez em quando, acima de tudo não podemos deixar de voar.
Somos uma folha ao vento, ter o desejo que ele sopre na tal direcção é querer demais, além disso esse desejo trás muita inquietação. Não sabendo antes a direcção podemos usar a nossa plena capacidade de improvisar no momento.
Há momentos em que a única atitude certa é estar quieta, imóvel, como uma folha, o vento irá sempre soprar novamente, qual é a pressa? Vai onde?
Somos donos do nosso próprio nariz, temos a força, o poder de seguir o caminho que desejamos. Devemos usar 200% dos poucos poderes que unicamente a nós pertencem. Confesso que eles embora poucos, podem ser bem poderosos.
Do cume da montanha podemos ver o vale em toda a sua plenitude. Mas também é a partir do vale que conseguimos ver bem a montanha.


Este livrinho que para ti escrevi faz parte do meu ser e do meu não ser.

Um beijinho de carinho

Teu amigo
João Francisco

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu não vim com livro de instruções


Bom dia...

Pois bem, o meu dilema de sempre...eu não vim com livro de instruções, o que é uma chatice...

Como evitar as pedras do caminho, ou despachar aquela que se  aninhou no sapato, como curar uma asa ferida, ou até as duas...como viver com um peso no coração, ou segurar a felicidade quando me envolve...vê-la partir e não poder fazer nada....

Parece que vivo como folha ao vento tentando desesperadamente que o vento sopre na direcção certa e ver-me obrigada a ir para o lado que não quero...ou pior...ficar pousada, porque ás vezes não consigo fazer nada, por mais que me tente mover, construir, criar, viver ser feliz!!!!
Como eu queria poder ser senhora de mim e ser um ser uno...mas não sou, dependo de tanta coisa...há que ser humilde.
(não quero!!!) 
Sei o que quero...a ousadia máxima de um ser humano...quero ser feliz!!!
Não tenho um caminho para lá chegar...há tantos!!!!....mas o destino teima em não me colocar em nenhum...ou se calhar estarei a olhar para o lado errado.
Mas onde estará o maldito livro de instruções??????
Ana

Uma vontade profunda

Hoje estou a sentir uma vontade profunda, Vontade profunda de TER alguém, Vontade profunda de partilhar, Vontade profunda de abraçar e poder amar.
Temos dias assim, Em que a nossa solidão nos aperta e comprime, Em que nos queremos libertar,Queremos ter alguém a quem poder dar...
É um sentimento profundo, Que nos aperta como quando amamos, É no entanto um vazio por não ter quem amar, É tão difícil perceber porque queremos tanto amar.
São momentos que queremos ultrapassar, Momentos em que estamos cheios para dar, Momentos em que não encontramos a  "TAL" pessoa a quem dar.
E continua esta vontade profunda, Vontade profunda de poder partilhar, Vontade profunda de abraçar e poder amar. Um dia...
Beijo
Ana

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Impressões de viagem (perto do pólo)


 Durante a caminhada sem fim e sem pessoas, rodeado por simplesmente montanhas, rios, imensos vales, florestas tropicais, quebrado de lá de vez enquando por um rebanho gigantesco de ovelhas acompanhadas por alguns cães despertos e bem tratados, notei que havia paz em tudo que me cercava. As gigantes nuvens mais brancas que neve, navegavam tranquilamente no azul do céu onde Cabral ou Vasco da Gama nunca chegaram.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Impressões de viagem (Da Praça de Camões ao Chiado)


Com a frescura de sol de inverno e cheiro a castanhas entrei no começo do ano e, pois, no início da segunda dezénia do século 21, segundo certo calendário.
Uma imensidão de pessoas no primeiro dia comercial do ano fazem-me murmurar ''Ué ... saldos e mais saldos yes''
Entretanto passava por Fernando Pessoa á chuva, coberto pela fumaça das castanhas que se misturava com o cherinho a café.
Rua abaixo, senti-me renovado como um pássaro de primavera em pleno vôo.
Passei o antigo intacto camuflado 'nostálgico' Hotel Borges. Sorri, recordando as visitas que fiz como jovem 'guia turistico' ao velho Hotel.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manoel de Barros (continuação)



  Do: O Guardador de Águas

''Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.''

***
''A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso''

***

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
_ Imagens são palavras que nos faltaram.
_ Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
_ Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo).
Concluindo: há pessoas que se compôes de atos, ruídos,
retratos.
Outras palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.

***

Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.
Ela pode ser o gerne de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao fóssil,
ao ouro que trazem da boca do chão.
Andei nas negras pedras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos em flor!

***
Escrever nem uma coisa
Nem outra _
A fim de dizer todas _
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar_
Tanto quanto escurecer acende os vagalumes.

***
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.

Manoel de Barros

Com os meus novos amigos Claudia e Fabio (de Campinas de visita de estudo a Portugal), ganhei uns poemas de Manoel de Barros, poeta brasileiro. Alguns poemas que me tocaram:

Do livro: Poemas Rupestres

SONATA AO LUAR
Sombra Boa não tinha e-mail.
Escreveu um bilhete:
Maria me espera debaixo do ingazeiro
quando a lua tiver arta.
Amarrou o bilhete no pescoço do cachorro
e atiçou:
Vai, Ramela, passa!
Ramela alcançou a cozinha num átimo.
Maria leu e sorriu.
Quando a lua ficou arta Maria estava.
E o amor se fez
Sob um luar sem defeito de abril.

NO ASPRO
Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem parametros, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais procaria nas palavras.
Eu não queria conher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela.

O MURO
O menino contou que o muro da casa dele era
da altura de duas andorinhas.
(Havia um pomar do outro lado do muro.)
Mas o que o intrigava mais a nossa atenção
principal
Era a altura do muro
Que seria de duas andorinhas.
Depois o garoto explicou:
Se o muro tivesse dois metros de altura
qualquer ladrão pulava
Mas a altura de duas andorinhas nenhum ladrão
pulava.
Isso era.