sábado, 6 de março de 2010

Quando as borboletas voam

Por Fabiana Barros *


Quando as borboletas voam, os sonhos se transportam da alma para o coração, os ventos deixam de soprar numa única direção, a vida cresce e o amor floresce nos detalhes. Nos intervalos, se elevam os valiosos pensamentos, o discernimento, as boas lembranças, a esperança talhada numa escultura de madeira.

O homem que sonha vive com mais intensidade e não acredita numa só verdade, ele ama em todas as direções, com todos os ângulos da alma como se possuíse vários corações. E sem medo de prosseguir, ele segue com fé e determinação.

O vento que sopra lá fora parece direcionar o amor para que ele invada qualquer lugar sem distinção. Num vagão de um trem sem destino, nos olhos de um menino, nas espumas do mar enfeitadas com a brancura de um véu salgado, na vaidade dos lábios de uma mulher, no ventre que espera pacientemente pela vida, pela presença de uma criança. Na dança dos corpos, de braços e, também, das folhas secas que anunciam a chegada da chuva. Na colheita da uva, na degustação de um bom vinho, no ninho de um belo passarinho no alto de uma linda árvore. O amor se expõe nos detalhes, pousa nas vírgulas e revela seus mais belos ensinamentos nos questionamentos que, às vezes, o homem não consegue compreender, ou mesmo, responder de imediato.

O amor pode ser encontrado atrás de uma coxia de um antigo teatro, no segundo ato de uma encenação, na canção de um poeta apaixonado. Nos sapatos transparentes de uma menina, nas páginas de um romance, num piscar de olhos e nas palavras embutidas na intimidade de uma folha de papel. No mel que adoça os pensamentos e as reflexões, no pulsar dos corações, numa tela de cinema, nos passos apressados de uma adolescente ansiosa pelo despertar do primeiro beijo. Na fatia de um delicioso queijo com goiabada, compartilhado numa mesma garfada, dividida por um casal apaixonado. No compasso de uma música, nos acordes de um violão, na mão espalmada esperando por um leve toque que a conceda o valor de um perdão.

O amor pode estar em qualquer lugar e para vê-lo é preciso deixar o coração acordar para mais uma direção, pois ele poderá estar tanto no norte como no sul. E as borboletas podem ajudar a mostrar, a divulgar os passos desse menino travesso e generoso que transforma o homem num ser inesquecível e poderoso.

Esteja atento aos detalhes que a vida concederá a você, leitor, pois nesse exato momento o amor pode ter pousado nos seus cílios enquanto você lê o texto, ou mesmo ter descansado nas pálpebras dos seus olhos quando você dormia e sonhava com o amanhã que ainda nem faz parte do seu presente. Ele, o amor, sente a pulsação do destino, ele entoa o hino que embalará a emoção, a direção do coração, como se fosse um vento que transporta gerações e pensamentos para qualquer lugar, fazendo do passado, presente e ligando o presente a doçura de um futuro que ainda esta para chegar. Assim é o amor, doce, delicado e pode ser encontrado tanto nas asas de uma borboleta colorida como na árvore florida que você plantar no seu coração.

* Fabiana Barros é jornalista, atriz, escritora, roteirista de teatro e tv e assina coluna em vários sites da Internet.

Coragem

Haja coragem pra se fazer ou não, muita coisa nesse mundo velho sem porteiras. Na crise cruel de falta de hombridade e lisura ninguém fala em corruptores. Os diabos padrinhos dos corruptos em qualquer escalão.
As seduções que aumentam a lista sem fim dos maus-caracteres partem de atos prosaicos aos mais cabeludos. O que não dirime nem desculpa a caída em tentação. Ser honesto, bom e transparente garante o sono tranqüilo, a cabeça erguida e a satisfação pessoal.

Muita coragem para...
Levantar-se com o sol, chuva ou frio, cumprir feliz as tarefas do dia-a-dia e dar graças a Deus pelas graças recebidas e tão pouco agradecidas.
Enfrentar os maus pedaços, juntá-los com complacência, aceitação, fé, e esperança de amanhãs mais suaves.
Cuidar da saúde preventiva, alimentando-se com prudência, mexendo-se em exercícios físicos e praticando o senso de humor.
Ser pai, mãe, filho, parente, amigo, o que é um desafio à exigência dos relacionamentos atuais.
Abrir a mão e coração a quem precisa tanto de pão como de amor.
Gastar reservas acumuladas, em favor do bem estar pessoal, porque a vida não espera a avareza madrasta, que tranca cofres e chances de ser feliz.
Aplaudir em vez de vaiar quem vai à luta, supera obstáculos, e acumula vitórias.
Contentar-se com o que se tem e dar-se conta de que é muito mais do que as fantasias invejosas contabilizam nos balanços da vida dos outros.

Nasci corajosa com a graça de Deus. De medos quero distância. Ai, se não fosse a força indômita para roçar florestas e encontrar meus caminhos.
Mais uma vez, saí sozinha, mundo afora sem problema algum. Como teria na lindeza de Portugal?
Casais jovens também foram e as mulheres espantavam-se, chamando meu corriqueiro ir e vir além mares, de ousadia: “Como você tem coragem de sair pro mundo desse jeito”. Divertida respondia-lhes: Que diferença faz estar sozinha em qualquer lugar?
Retoricamente. A facilidade de comunicação e o deslumbramento com o ser humano multiplicam gente à minha volta. Coragem e fé. A parelha perfeita para se degustar o banquete de viver.


* Vilma Cunha Duarte, natural de Araxá, Minas Gerais, é escritora, poetisa, formada em Letras: Língua e Literatura Brasileira, Portuguesa e Inglesa e tem passagem de estudos no exterior, notadamente na Europa, sua velha conhecida. 

sexta-feira, 5 de março de 2010

O momento da viragem


''Depois de um período de decadência surge o momento da viragem. A forte luz rejeitada, volta novamente. Existe movimento mas não causado por uma força....
O movimento é natural surge por si. Por isso, a transformação do velho acontece mais facil. O velho é banido e o novo guiado para a frente. Ambas acções descendem de acordo com o tempo; por isso nada se danifica''
I Ching.
'Het Keerpunt' Fritjof Capra
Tradução: JFS