sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Terás mais pó para tirar?

Teu texto está perfeito...no conteúdo e na forma....
Terás mais pó para tirar?????...é que adorei o resultado e nada como uma resposta desempoeirada e um rasgo da verdade mais pura e crua...para me obrigares a pensar...
É certo que o que escrevi antes, era uma forma de parodiar a minha fragilidade e a colecção de incertezas, sabendo de antemão que é assim mesmo, mas não gosto, ora pois.
Mas confesso que soube bem que alguém entrasse na minha sintonia, mais ainda quando  me dizes que dois passarinhos estão de acordo...aquece a alma.
Bem hajas!!!

Ana

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O livrinho de instruções



Ana:
Realmente, tens com cada uma....agora obrigaste-me a rebuscar na arca que tenho no sotão... para te responder. Olha, até gostei porque havia coisas que já tinham um certo pó em cima e eu gosto pouco de pó. Vamos a isto:


Bom dia....porque é mesmo bom dia
A noite foi má, houve uma tempestade, parecia que o céu ia cair aos pedaçinhos, depois surgiu o dia, com graça, com luz, até com passarinhos voando no decor do azul do céu... a vida voltou a florir, escutei os dois passarinhos em cima da chaminé do vizinho, se entendi bem eles tinham a mesma opinião


Clarezas na covinha da nossa mão
 Um caminho sem pedras não seria caminho seria tudo menos isso.
Não usando sapatos, também pedra não entra.
Vivemos com os pesos que queremos, a escolha é nossa, nem precisa de ter uma conta bancária para possuir tal tesouro. Uma vez fiquei quase nu, mandei tudo que tinha nos bolsos rio abaixo, e começei a cantar até uma flor me brilhar.
As asas são para subtituir de vez em quando, acima de tudo não podemos deixar de voar.
Somos uma folha ao vento, ter o desejo que ele sopre na tal direcção é querer demais, além disso esse desejo trás muita inquietação. Não sabendo antes a direcção podemos usar a nossa plena capacidade de improvisar no momento.
Há momentos em que a única atitude certa é estar quieta, imóvel, como uma folha, o vento irá sempre soprar novamente, qual é a pressa? Vai onde?
Somos donos do nosso próprio nariz, temos a força, o poder de seguir o caminho que desejamos. Devemos usar 200% dos poucos poderes que unicamente a nós pertencem. Confesso que eles embora poucos, podem ser bem poderosos.
Do cume da montanha podemos ver o vale em toda a sua plenitude. Mas também é a partir do vale que conseguimos ver bem a montanha.


Este livrinho que para ti escrevi faz parte do meu ser e do meu não ser.

Um beijinho de carinho

Teu amigo
João Francisco

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu não vim com livro de instruções


Bom dia...

Pois bem, o meu dilema de sempre...eu não vim com livro de instruções, o que é uma chatice...

Como evitar as pedras do caminho, ou despachar aquela que se  aninhou no sapato, como curar uma asa ferida, ou até as duas...como viver com um peso no coração, ou segurar a felicidade quando me envolve...vê-la partir e não poder fazer nada....

Parece que vivo como folha ao vento tentando desesperadamente que o vento sopre na direcção certa e ver-me obrigada a ir para o lado que não quero...ou pior...ficar pousada, porque ás vezes não consigo fazer nada, por mais que me tente mover, construir, criar, viver ser feliz!!!!
Como eu queria poder ser senhora de mim e ser um ser uno...mas não sou, dependo de tanta coisa...há que ser humilde.
(não quero!!!) 
Sei o que quero...a ousadia máxima de um ser humano...quero ser feliz!!!
Não tenho um caminho para lá chegar...há tantos!!!!....mas o destino teima em não me colocar em nenhum...ou se calhar estarei a olhar para o lado errado.
Mas onde estará o maldito livro de instruções??????
Ana

Uma vontade profunda

Hoje estou a sentir uma vontade profunda, Vontade profunda de TER alguém, Vontade profunda de partilhar, Vontade profunda de abraçar e poder amar.
Temos dias assim, Em que a nossa solidão nos aperta e comprime, Em que nos queremos libertar,Queremos ter alguém a quem poder dar...
É um sentimento profundo, Que nos aperta como quando amamos, É no entanto um vazio por não ter quem amar, É tão difícil perceber porque queremos tanto amar.
São momentos que queremos ultrapassar, Momentos em que estamos cheios para dar, Momentos em que não encontramos a  "TAL" pessoa a quem dar.
E continua esta vontade profunda, Vontade profunda de poder partilhar, Vontade profunda de abraçar e poder amar. Um dia...
Beijo
Ana

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Impressões de viagem (perto do pólo)


 Durante a caminhada sem fim e sem pessoas, rodeado por simplesmente montanhas, rios, imensos vales, florestas tropicais, quebrado de lá de vez enquando por um rebanho gigantesco de ovelhas acompanhadas por alguns cães despertos e bem tratados, notei que havia paz em tudo que me cercava. As gigantes nuvens mais brancas que neve, navegavam tranquilamente no azul do céu onde Cabral ou Vasco da Gama nunca chegaram.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Impressões de viagem (Da Praça de Camões ao Chiado)


Com a frescura de sol de inverno e cheiro a castanhas entrei no começo do ano e, pois, no início da segunda dezénia do século 21, segundo certo calendário.
Uma imensidão de pessoas no primeiro dia comercial do ano fazem-me murmurar ''Ué ... saldos e mais saldos yes''
Entretanto passava por Fernando Pessoa á chuva, coberto pela fumaça das castanhas que se misturava com o cherinho a café.
Rua abaixo, senti-me renovado como um pássaro de primavera em pleno vôo.
Passei o antigo intacto camuflado 'nostálgico' Hotel Borges. Sorri, recordando as visitas que fiz como jovem 'guia turistico' ao velho Hotel.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manoel de Barros (continuação)



  Do: O Guardador de Águas

''Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.''

***
''A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso''

***

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
_ Imagens são palavras que nos faltaram.
_ Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
_ Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo).
Concluindo: há pessoas que se compôes de atos, ruídos,
retratos.
Outras palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.

***

Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.
Ela pode ser o gerne de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao fóssil,
ao ouro que trazem da boca do chão.
Andei nas negras pedras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos em flor!

***
Escrever nem uma coisa
Nem outra _
A fim de dizer todas _
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar_
Tanto quanto escurecer acende os vagalumes.

***
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.

Manoel de Barros

Com os meus novos amigos Claudia e Fabio (de Campinas de visita de estudo a Portugal), ganhei uns poemas de Manoel de Barros, poeta brasileiro. Alguns poemas que me tocaram:

Do livro: Poemas Rupestres

SONATA AO LUAR
Sombra Boa não tinha e-mail.
Escreveu um bilhete:
Maria me espera debaixo do ingazeiro
quando a lua tiver arta.
Amarrou o bilhete no pescoço do cachorro
e atiçou:
Vai, Ramela, passa!
Ramela alcançou a cozinha num átimo.
Maria leu e sorriu.
Quando a lua ficou arta Maria estava.
E o amor se fez
Sob um luar sem defeito de abril.

NO ASPRO
Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem parametros, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais procaria nas palavras.
Eu não queria conher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela.

O MURO
O menino contou que o muro da casa dele era
da altura de duas andorinhas.
(Havia um pomar do outro lado do muro.)
Mas o que o intrigava mais a nossa atenção
principal
Era a altura do muro
Que seria de duas andorinhas.
Depois o garoto explicou:
Se o muro tivesse dois metros de altura
qualquer ladrão pulava
Mas a altura de duas andorinhas nenhum ladrão
pulava.
Isso era.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Voltar à origem

Não é coisa fácil parar a mente de uma forma ou de outra poluída para nos concentrar na essência, na nossa base original antes de nossos pais nos educarem e o ensino começar, ultimamente tenho optado por esse caminho para purificar o meu interior, pelo menos por uns momentos porque ainda não tenho a capacidade de meditar por mais tempo...assim as minhas escolhas o meu caminho ficam mais claros, mais limpo com mais luz.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pessoas felizes que conheçam a beleza do amor ....

Das Palavras de Osho, li hoje estas lindas frases, tão lindas que as atiro aqui no ar para o vento as levar ao cantinho mais distante do planeta.  

Precisamos de pessoas mais felizes ao redor da terra para impedir a terceira guerra mundial. Estas armas nucleares e estas máquinas de guerra destrutivas não podem funcionar por si mesmas. Elas estão sendo operadas por seres humanos, atrás delas estão mãos humanas.

Uma mão que conheça a beleza de uma rosa não pode jogar uma bomba sobre Hiroshima.

Uma mão que conheça a beleza do amor não pode guardar uma arma carregada de morte. Apenas um pouco de contemplação e você irá entender o que estou dizendo

Estou dizendo: espalhe riso, espalhe amor, espalhe os valores positivos da vida, cultivem mais flores ao redor da terra. Tudo que é belo, apreciem isso – e tudo que é desumano, condenem isso.


Osho, em "Hari Om Tat Sat"
Imagem por Pink Sherbet Photography