quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Impressões de viagem (Da Praça de Camões ao Chiado)


Com a frescura de sol de inverno e cheiro a castanhas entrei no começo do ano e, pois, no início da segunda dezénia do século 21, segundo certo calendário.
Uma imensidão de pessoas no primeiro dia comercial do ano fazem-me murmurar ''Ué ... saldos e mais saldos yes''
Entretanto passava por Fernando Pessoa á chuva, coberto pela fumaça das castanhas que se misturava com o cherinho a café.
Rua abaixo, senti-me renovado como um pássaro de primavera em pleno vôo.
Passei o antigo intacto camuflado 'nostálgico' Hotel Borges. Sorri, recordando as visitas que fiz como jovem 'guia turistico' ao velho Hotel.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manoel de Barros (continuação)



  Do: O Guardador de Águas

''Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.''

***
''A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso''

***

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
_ Imagens são palavras que nos faltaram.
_ Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
_ Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo).
Concluindo: há pessoas que se compôes de atos, ruídos,
retratos.
Outras palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.

***

Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.
Ela pode ser o gerne de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao fóssil,
ao ouro que trazem da boca do chão.
Andei nas negras pedras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos em flor!

***
Escrever nem uma coisa
Nem outra _
A fim de dizer todas _
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar_
Tanto quanto escurecer acende os vagalumes.

***
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.

Manoel de Barros

Com os meus novos amigos Claudia e Fabio (de Campinas de visita de estudo a Portugal), ganhei uns poemas de Manoel de Barros, poeta brasileiro. Alguns poemas que me tocaram:

Do livro: Poemas Rupestres

SONATA AO LUAR
Sombra Boa não tinha e-mail.
Escreveu um bilhete:
Maria me espera debaixo do ingazeiro
quando a lua tiver arta.
Amarrou o bilhete no pescoço do cachorro
e atiçou:
Vai, Ramela, passa!
Ramela alcançou a cozinha num átimo.
Maria leu e sorriu.
Quando a lua ficou arta Maria estava.
E o amor se fez
Sob um luar sem defeito de abril.

NO ASPRO
Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem parametros, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais procaria nas palavras.
Eu não queria conher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela.

O MURO
O menino contou que o muro da casa dele era
da altura de duas andorinhas.
(Havia um pomar do outro lado do muro.)
Mas o que o intrigava mais a nossa atenção
principal
Era a altura do muro
Que seria de duas andorinhas.
Depois o garoto explicou:
Se o muro tivesse dois metros de altura
qualquer ladrão pulava
Mas a altura de duas andorinhas nenhum ladrão
pulava.
Isso era.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Voltar à origem

Não é coisa fácil parar a mente de uma forma ou de outra poluída para nos concentrar na essência, na nossa base original antes de nossos pais nos educarem e o ensino começar, ultimamente tenho optado por esse caminho para purificar o meu interior, pelo menos por uns momentos porque ainda não tenho a capacidade de meditar por mais tempo...assim as minhas escolhas o meu caminho ficam mais claros, mais limpo com mais luz.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pessoas felizes que conheçam a beleza do amor ....

Das Palavras de Osho, li hoje estas lindas frases, tão lindas que as atiro aqui no ar para o vento as levar ao cantinho mais distante do planeta.  

Precisamos de pessoas mais felizes ao redor da terra para impedir a terceira guerra mundial. Estas armas nucleares e estas máquinas de guerra destrutivas não podem funcionar por si mesmas. Elas estão sendo operadas por seres humanos, atrás delas estão mãos humanas.

Uma mão que conheça a beleza de uma rosa não pode jogar uma bomba sobre Hiroshima.

Uma mão que conheça a beleza do amor não pode guardar uma arma carregada de morte. Apenas um pouco de contemplação e você irá entender o que estou dizendo

Estou dizendo: espalhe riso, espalhe amor, espalhe os valores positivos da vida, cultivem mais flores ao redor da terra. Tudo que é belo, apreciem isso – e tudo que é desumano, condenem isso.


Osho, em "Hari Om Tat Sat"
Imagem por Pink Sherbet Photography

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Muitos chefes e poucos Indios

Vendo e lendo os acontecimentos de horror por esse mundo fora, tornaram-se parte do nosso dia a dia, até parece ser normal.  A ambição do homem está ligada á destruição de vidas. Embora eu não tenha problema algum com o 'zé-ninguém' com o mendigo na rua que a ninguém faz mal. Problema tenho com os 'senhores ambiciosos', que desejam mostrar ao pai deles que alcançaram 'algo na vida'.

Os responsaveis pelo catástrofe no Golfo do México destruiram milhões e milhões de vidas pelas quais eu e muitos temos o maior respeito, na verdade não existe dinheiro ou mesmo castigo no mundo que faça justiça aos directos e indirectos causadores de tamanha destruição. Este virus chamado 'ambição', vejo-o em raio x por todo lado e é pior que os virus mais destruidores.

Numa lista escrevi os nomes dos 'responsaveis' por estas e outras coisas e colei à parede da cozinha. Eles vão passar pela justiça do meu coração. Quer isto dizer que vou andar cada vez mais de bicicleta, não vou abastecer o carro na BP, Shell ou Galp, vou comprar o menos possível de artigos derivados de multinacionais inconscientes, não como mais chocolate suiço ou alemão ou qualquer outro proveniente das plantações de cacao de Africa (porque crianças em Africa são sequestradas, usadas, para trabalharem nessas plantações), evito a grande superficie comercial mesmo que isso me custe mais. Assim fico um pouco mais feliz.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Espiritualidade o Centro

Ouvimos falar e até discutir sobre espiritualidade, usamos esta palavra muitas vezes sem saber o significado real puro do conteúdo desta palavra. Daí que coloco aqui uma visão de um espiritualista especial:

Um dos maiores infórtunios que aconteceu à humanidade é terem dito às pessoas para serem religiosas, não espirituais. Religião significa a circunferência e espiritualidade significa o centro. A religião tem alguma coisa com a espiritualidade, mas apenas alguma coisa - algo como o reflexo num lago de uma noite estrelada ou de uma lua cheia. A espiritualidade é a coisa verdadeira; a religião é apenas um derivado.
Como as pessoas são convencidas a serem religiosas, elas começam a decorar a sua circunferência, começam a cultivar o carácter. O carácter é a sua circunferência. Mas ao pintar a sua circunferência, o leitor não está a mudar o seu centro. Se mudar o centro, a circunferência automaticamente passa por uma transformação.
Mude o centro - isso é espiritualidade. A espiritualidade é uma revolução interior. Ela afecta com certeza o seu comportamento exterior - como vai estar alerta, mais consciente, naturalmente as suas acções serão diferentes, o seu comportamento terá uma qualidade diferente, um sabor diferente, uma beleza diferente - mas isto é só um produto derivado. A espiritualidade pertence ao seu ser essencial e a religião apenas ao seu exterior: acções, comportamentos, moralidade.
A religião é formal; ir à igreja todos os domingos é uma questão social. A igreja não é mais do que um género de clube com pretensões religiosas. A pessoa espiritual não pode pertencera nenhuma Igreja - hindu, cristã, muçulmana...Isso seria impossível, pois ela não segue nenhum credo, nenhum dogma.
A espiritualidade é uma; as religiões são muitas. Espiritualidade é rebelião; religião é ortodoxia. Espiritualidade é individualidade; religião é apenas fazer parte da multidão. A religião mantém-no uma ovelha; a espiritualidade é o rugido do leão.
 (do Espiritualidade de A a Z)
 

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Universo Inteligente

No inicio do livro da Tereza Guerra 'O Poder Índigo' isbn 989-607-042-3. Leio as seguintes frases, que me fazem ir direitinho ao centro do Amor:

O Amor não precisa de ser explicado cientificamente. E, no entanto, sabemos que existe e sentimo-lo fortemente dentro de nós, porque o verdadeiro amor é intenso, vibracional, atinge altas frequências, é multidimensional, criador, mágico, encantador, envolve, anima é paz.
O Amor é o poder mais precioso que podes cultivar em ti, porque é sábio e curador de todos os males!
Quando o Amor é puro, íntegro, honesto, tu podes transformar-te e tranformar os outros e o mundo...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma menina mulher

Uma menina que às vezes se esquece que é mulher...
Desce a rua sacudindo os cabelos.
Bruxa, fadinha, cigana, menina, mulher
Olha nos olhos, fala com a alma
Beija com o corpo, ama por inteiro.
Se entrega e cai de cabeça
Segue o coração, sempre.
Antes o impulso
Agora tem que tocar o coração
Com razão, com emoção.
Ama poesia, chocolate e dias de chuva
Ama amar, sorrir, chorar, se emocionar
Ama lilás, borboletas
Ama beleza, leveza, simplicidade, liberdade!

Rosângela Kowalezuck

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Escorpião

Em um Blog agradável, encontrei um texto sobre astrologia o 'escorpião'. Gosto de astrologia e muita coisa ainda deve ser descoberto sobre o universo. É um meu signo, com ascendente Touro.
 Quem nasce no tempo de Escorpião recebe do céu um dom que, se não for bem compreendido e bem usado, pode ser fonte de muita perturbação: a capacidade de perceber a tensão que está dentro das coisas e que vai fazer elas mudarem. Ao contrário de Touro, que se encanta e se apaixona pelas coisas como elas parecem ser, Escorpião é atraído pelo mundo misterioso que existe por trás das aparências.


Sempre associado à morte, à violência, ao ciúme e à sexualidade exagerada, é talvez o mais mal falado de todos os signos. É possível que a má fama tenha vindo do fato de que, para os povos que criaram a astrologia, essa época do ano correspondia ao outono, o tempo em que a natureza ensina aos homens que morrer é natural. Mais do que natural, é necessário.


Por sua oposição ao signo de Touro, que simboliza a Primavera, Escorpião sabe que mesmo as coisas mais perfeitas e belas não vão ser perfeitas e belas para sempre. E pressente o que elas vão ser depois. Touro se encanta com a beleza das flores. Escorpião é apaixonado pelas sementes que só vão mostrar sua força depois da morte da flor.


Quem nasce com o sol em Escorpião vê o mundo e as outras pessoas com olhos de raio -X e isso às vezes cria problemas. Como imaginam que todo mundo pode ver o que eles veem, tendem a ser muito fechados. Criam uma verdadeira barreira em torno dos seus sentimentos, que são sempre muito intensos. Eles estão sempre “morrendo” de amor, “morrendo” de saudade, “morrendo” de rir, “morrendo” de raiva.


Mas quando a imensa energia desse signo misterioso encontra uma saída construtiva é que podemos avaliar a força de um Escorpião. Uma força como aquela que animou o sociólogo Betinho, o homem que fez da luta contra a morte pessoal um símbolo emocionante da grande luta coletiva contra a morte pela fome e pela miséria.


em IG Delas