sábado, 6 de março de 2010

Coragem

Haja coragem pra se fazer ou não, muita coisa nesse mundo velho sem porteiras. Na crise cruel de falta de hombridade e lisura ninguém fala em corruptores. Os diabos padrinhos dos corruptos em qualquer escalão.
As seduções que aumentam a lista sem fim dos maus-caracteres partem de atos prosaicos aos mais cabeludos. O que não dirime nem desculpa a caída em tentação. Ser honesto, bom e transparente garante o sono tranqüilo, a cabeça erguida e a satisfação pessoal.

Muita coragem para...
Levantar-se com o sol, chuva ou frio, cumprir feliz as tarefas do dia-a-dia e dar graças a Deus pelas graças recebidas e tão pouco agradecidas.
Enfrentar os maus pedaços, juntá-los com complacência, aceitação, fé, e esperança de amanhãs mais suaves.
Cuidar da saúde preventiva, alimentando-se com prudência, mexendo-se em exercícios físicos e praticando o senso de humor.
Ser pai, mãe, filho, parente, amigo, o que é um desafio à exigência dos relacionamentos atuais.
Abrir a mão e coração a quem precisa tanto de pão como de amor.
Gastar reservas acumuladas, em favor do bem estar pessoal, porque a vida não espera a avareza madrasta, que tranca cofres e chances de ser feliz.
Aplaudir em vez de vaiar quem vai à luta, supera obstáculos, e acumula vitórias.
Contentar-se com o que se tem e dar-se conta de que é muito mais do que as fantasias invejosas contabilizam nos balanços da vida dos outros.

Nasci corajosa com a graça de Deus. De medos quero distância. Ai, se não fosse a força indômita para roçar florestas e encontrar meus caminhos.
Mais uma vez, saí sozinha, mundo afora sem problema algum. Como teria na lindeza de Portugal?
Casais jovens também foram e as mulheres espantavam-se, chamando meu corriqueiro ir e vir além mares, de ousadia: “Como você tem coragem de sair pro mundo desse jeito”. Divertida respondia-lhes: Que diferença faz estar sozinha em qualquer lugar?
Retoricamente. A facilidade de comunicação e o deslumbramento com o ser humano multiplicam gente à minha volta. Coragem e fé. A parelha perfeita para se degustar o banquete de viver.


* Vilma Cunha Duarte, natural de Araxá, Minas Gerais, é escritora, poetisa, formada em Letras: Língua e Literatura Brasileira, Portuguesa e Inglesa e tem passagem de estudos no exterior, notadamente na Europa, sua velha conhecida. 

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